Post Mortem

Publicado: 31/10/2012 em contos

O buraco em minha cabeça ainda queima enquanto vejo meu algoz, um garoto de 13 anos, revistar meus bolsos em busca de algo que possa trocar por algumas gramas de seja-lá-o-que-for. Tento surpreende-lo: alcanço seu fino braço, mas minha mão o transpassa como água. Espantado, me levanto e percebo que deixei uma cópia de meu corpo para trás. O viciadinho de merda foge com minha carteira (vazia, diga-se de passagem).Cansado demais para persegui-lo, agacho para observar aquilo que costumava ser eu, ou melhor, aquilo que aparentava ser. Confiro o rombo em minha cabeça… acho que morri mesmo. Fico sentado ali, do lado do meu cadaver esperando alguma assistência. Não demora até que curiosos comecem a me velar, estendido na calçada. Um casal de velhinhos, um punk mal-encarado (pleonasmo?) e um grupinho de estudantes meio chapadas. Uma meia hora depois, a ambulância chega, ensacam meu ex-corpo e o levam para o carro. Um breve momento de burburinho e logo todos vão embora da cena do crime, com exceção de meu eu fantasmagórico e daquele punk que apontei algumas linhas acima. Ele olha pra mim, eu o encaro de volta… por um momento, pensei que seria assaltado denovo, mas o jovem alto e branquelo, com um moicano à la Taxi Driver, sorriu e me disse:

-É… já era… agora levanta daí, porra… a gente tem muito o que fazer…

Anúncios
comentários
  1. eduardo disse:

    gostei desse conto to com duvida se o cara punk e fantasma ou outra coisa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s