Sobre o massacre de Denver

Publicado: 22/07/2012 em filosofia, vida
Tags:, , , , ,

James Holmes tem a minha idade, é estudante universitário e tambem deve ser um grande fã de quadrinhos. As razões que o levaram a fazer o que fez nos primeiros minutos da ultima sexta, dia 20 de julho de 2012 talvez jamais saibamos. O fato é que não existe um único agente motivador que o tenha inspirado a cometer tal barbarie: em tais casos é sempre tentador culpar a mídia (e somente ela) envolta na cena do crime do que a realidade (ou não) na qual vive o mais novo assassino da vez.

O triste episódio ocorrido na cidade de Denver dá continuidade a um padrão de atentados que acontecem com cada vez maior frequência em todos os cantos do mundo: jovens frustrados ou vingativos descontando sua fúria na sociedade.  Simplesmente condena-los como ações de monstruosa psicopatia só colabora para que não nos sintamos culpados em relação a nosso próprio instinto de violência, mascarando nosso potencial de repetir um ato homicida.

A fim de saciar nossa natureza agressiva, a indústria do entretenimento nos ajuda através dos games, cinema e esportes a dar vazão a nossos impulsos mais destrutivos e primais através da simulação. O que acontece é que a simulação é tão presente em nosso cotidiano, que já não diferenciamos a realidade com a hiper-realidade – ou  Mundo-Cópia, como sugere Baudrillard em Simulacro e Simulação.

A super-exposição da violência real ou simulada, nos desensibiliza a tal ponto que os presentes naquela sessão em Denver demoraram a reagir aos tiros pensando se tratar de alguma ação viral – prática atualmente muito comum no ramo do entretenimento cinematográfico. A mesma super-exposição certamente colaborou para que James tratasse seu crime como uma encenação – que o fez com toda teatralidade possivel com suas armas, máscara e declarações fantasiosas.

Naturalmente nenhum argumento filosófico ou sociológico isenta um homem de um crime dessa magnetude. Provavelmente ele o pagará com a própria vida, que é como costuma proceder a lei americana em casos tão extremados como esse. O perigo está em tratá-lo como um incidente isolado sem relação com o modo como vivemos e lidamos com nossa propria violência…

E citando o Coringa em A Piada Mortal, de Alan Moore:

Só é preciso um dia ruim pra reduzir o mais são dos homens a um lunático. É essa a distância que me separa do mundo. Apenas um dia ruim.

Anúncios
comentários
  1. Siena disse:

    Gostei!

  2. Karina disse:

    Curti a frase. ^^

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s