A filosofia acachapante de Alain de Botton

Publicado: 19/07/2012 em filosofia, livros, vida
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Dia desses tava de bobeira numa livraria da vida quando vi um livro cujo título me chamou atenção: Religião Para Ateus, de um tal Alain de Botton – um filosófo famoso por seu discurso quase terapêutico para consolar corações aflitos da chamada sociedade secular. Uma rápida folheada no livro mostrou não se tratar de um tipo de “auto-ajuda” na seção errada da loja, mas sim um discurso filosófico que reconhece os acertos das religiões para acalentar a alma humana e tenta transporta-los para o pensamento ateísta.

Levei o livro e o devorei em questão de horas, mas não me basta ler, quero comentar aqui alguns aspectos que fizeram  repensar alguns conceitos que carregava comigo:

O primeiro e mais importante deles é a não-isenção do ateu com os problemas existênciais inerentes a condição humana. A não-crença num suposto after-life não implica invulnerabilidade emocional em relação às grandes questões por parte do ateu, pelo contrário: não crer em respostas inquestionaveis para as aflições e os mistérios da vida faz com que busquemos consolo e momentos de “iluminação” na literatura, nas artes e no outro. Ela não vem pronta e embalada para consumo, nossas respostas (se é que elas existem) levam toda uma vida para serem encontradas e entendidas, ou nem isso. É preciso dedicar um bom tempo da nossa existência num esforço consciente de tentar significa-la para se colher algum fruto ao fim da mesma. O mesmo tempo gasto por um fiel em cultos e leitura das suas sagradas escrituras deveria tambem o ateu despreender com o mesmo fervor ao estudo e ao debate dos grandes pensadores da nossa história, a fim de se estabelecer uma base sólida de conceitos e conselhos tão uteis como qualquer evangelho.

A tolerância com a fé alheia é outro ponto que me agradou muito na leitura deste livro. Diferente do menosprezo de um Richard Dawkins – por exemplo, Alain de Botton demonstra um reconhecimento do bem que as religiões fazem a condição humana. Identificados tais pontos, o filosofo tenta traze-los a realidade ateísta. Sua comparação inicial que achei muito válida é a de comparar a religião com um buffet no qual você não precisa comer tudo que está sendo servido: escolha aquilo que melhor lhe agradar e bon appetit.

Concluindo:  gostei muito de Religião para Ateus e irei atrás de outros títulos de Alain de Botton. O próximo talvez seja Ensaios De Amor, porque né?!

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comentários
  1. Amanda Leite disse:

    Realmente o homem é sedento de resposta e em algo ele precisa crer. A religião hoje em dia parece ser tratada como negócio, porém todos nós precisamos nós apegar a algo e através da religião estamos mais perto de Deus ou do que cada um acredita e isso com
    certeza faz bem ao ser humano.

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