Arquivo de junho, 2012

As coisas que perdemos na tradução

Publicado: 29/06/2012 em Sem categoria

Ontem vi pela primeira vez NA VIDA o excelente Encontros e Desencontros (Lost in Translation,2003) , segundo longa dirigido por Sofia Coppola e estrelado pelo meu querido Bill Murray e pela minha linda Scarllet Johansson. A seguir, alguns comentários empolgadíssimos de um blogueiro com tempo livre…

Sucesso de critíca e publico, Lost in Translation mistura elementos de romance e comédia numa história deliciosamente simples, mas com um desenrolar mais cru e honesto do que a maioria dos romances que se vê por aí. Muito do clima blasé que permeia o filme se deve principalmente a atuação minimalista de Murray, sem exageros, mas com muita humanidade.

Image“For relaxing times, make it Suntory time.”

E a cena de abertura,hein? Uma das melhores da história do cinema!!!

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Não achei o video numa qualidade digna, fiquem com a foto aí!!!

Saca aqueles momentos de silêncio que permeiam 70% da vida real? Então, Lost in Translation tem muito disso. Alguns takes mais demorados parecem tão naturais, tão espontâneos, que até se esquece que se trata de uma obra de ficção…

Pensando bem, é besteira tentar explicar em palavras, as emoções que senti vendo esse filme. Como o próprio título sugere, muito se perde na tradução. Enfim, veja ou reveja Encontros e Desencontros. É lindo demais!!!

Eu tive uma ideia

Publicado: 24/06/2012 em contos
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Era uma vez uma ideia muito, muito pequena, sem nome, nem rosto, nem planos numa praia solitária.

E assim ela permaneceu por muito tempo, quase invisivel e praticamente inofensiva.

Um dia, ela encontrou algumas palavras jogadas na areia perto do mar. Ideias não gostam de doces, nem de nada saudavel. Ideias comem palavras, e essa  comeu todas que encontrou, sem nem mastiga-las 2 vezes.

Tantas letras fizeram a ideia engordar e crescer. Maior e mais forte, ela começou a ficar cada vez mais faminta e as palavras que encontrava já não saciavam mais seu imenso apetite.

Então um dia, essa ideia encontrou outra ideia em seu caminho. Elas se encararam por um breve momento e movidas por sua fome, se atacaram ferozmente.  O vencedor consumiu o derrotado, se tornando uma ideia ainda mais poderosa.

Muitos encontros se seguiram após este, em várias partes e ao mesmo tempo. Ideias gigantescas se digladiavam espalhando textos inteiros sobre as terras da Mente, que depois alimentariam novas ideias que nasceriam no mar…

Até que, após meses de guerra, só uma ideia reinava suprema sobre todas as outras, pequenas demais para fazer algo a respeito. A ideia una é agora conhecida como obssessão, e como obssessão que é, tem suas próprias ideias para transpor as fronteiras do Mundo-Mente –  a frágil gaiola que nos mantem a salvo de sua insaciavel sede de poder.

PROMETHEUS, deuses astronautas e as dores de um parto

Publicado: 17/06/2012 em Sem categoria

Depois de ver Avengers três vezes no cinema, ignorei os lançamentos de MIB3 e Branca de Neve e o Caçador, mas não pude evitar o retorno de Ridley Scott ao gênero que lhe tornou famoso, e você também não deve, pois PROMETHEUS é provavelmente o filme mais foda que você verá este mês.

Anunciado desde o inicio como uma prequel de Alien (apesar dos esforços do diretor pra não divulga-lo deste modo), PROMETHEUS é na realidade um conto sobre a prequel da Humanidade.

Fazendo uma sinopse breve: um time de cientistas viaja através do universo na espaço-nave Prometheus até um planeta distante, seguindo pistas que os levarão à conhecer os supostos criadores da raça humana.

Visualmente o filme é perfeito. Apoiado em muito nas artes conceituais de HR Giger e Moebieus para o primeiro Alien, o longa mantem a mesma ambientação claustrofóbica do original, com a diferença que dessa vez a nave não parece um pardiero como a Nostromo.  Aliás, ouvi algumas críticas a respeito da disparidade tecnológica terrestre entre O Oitavo Passageiro e PROMETHEUS, uma vez que o último se passa 30 anos antes e apresenta um maquinário bem mais futurista que o primeiro. Pois bem:  analise a foto abaixo:

À esquerda, PROMETHEUS. À direita, NOSTROMOS

Tecnologias diferentes PODEM dividir a mesma linha temporal. No futuro do Universo Alien, ir para o espaço não é mais um luxo para bilhardários e astronautas ultra-preparados, mas sim um campo de trabalho a ser explorado por uma mão-de-obra mais barata. A diferença é que em Alien estamos com a classe baixa e em PROMETHEUS com os maiores cientistas da Terra bancados por uma mega-corporação chefiada por um homem desesperado.

Outro ponto que gostei  de ver abordado é o conflito CRIATURA x CRIADOR. Ridley Scott já o tinha feito de forma sublime com Roy Batty em Blade Runner, repetindo aqui de forma um pouco mais explícita (ou mais pop, sei lá), e infelizmente sem uma resolução a altura.

épico!

Por falar em androides, temos Michael Fassbender (o Magneto de First Class) sendo foda como David, um dos tripulantes da Prometheus, um robô e  o melhor personagem do filme,  não propriamente o vilão, mas enfim…

Outra auto-referência do diretor é a clássica cena do nascimento do primeiro Alien, uma das mais assustadoras da história do cinema. Aqui ela ressurge em nossa heroína (interpretada por Noomi Rapace) numa sequência tão angustiante quanto. Importante salientar o clima de tensão constante que Ridley consegue manter durante todo o filme. PROMETHEUS mescla ficção e terror de forma exemplar.

Resumo da ópera: veja PROMETHEUS, se possivel em 3D. Você não vai se arrepender!!!

NOTA: 8/10

Pois é, terça agora é  ontem foi dia dos namorados e eu continuo membro cativo do Lonely Hearts Club Band. E como já é tradição neste blog (e na minha vida) aproveito o ensejo para lamentar a solidão de ser um cara extremamente   romantico but  sem nenhuma habilidade social para sustentar uma relação amorosa com outro ser consciente.

Porem,  neste ano meu lamento é um pouco forçado o mesmo,senão maior uma vez que não estou completamente desolado por um chute na bunda (como costuma acontecer com assombrosa frequência nesta época do ano) ou  perdido de amores por uma transeunte mais jeitosa que ousa olhar pra mim. Se trata de uma melancolia mais comercial do que existencial, provocada pelo zeitgeist deste começo de inverno ou talvez a simples resignação da minha condição forever alonística

Sei lá, só sei que não estou tão mal como costumo ficar e que acho isso bom péssimo (não que precise continuar assim…). Bom, pra não perder o costume, chore aí um pouquinho muito com Elton John e Downey Jr e seja feliz!

As provas acabaram e estou virtualmente de férias agora. Porem, no semestre que vem, o último do curso, devo produzir meu Trabalho de Conclusão, cujo tema será o potencial pedagógico da Arte Sequêncial nos processos de alfabetização, letramento e aprendizado.  Já separei alguns titulos e autores que pretendo utilizar em minha pesquisa, cuja relação você confere abaixo:

1#Scott McCloud

Sou fã desse cara. McCloud é um dos mais famosos teóricos dos quadrinhos da atualidade. Em seus trabalhos de maior destaque  (Desvendando os Quadrinhos  e Reinventando os Quadrinhos), o autor esmiuça todo o processo histórico, narrativo e semiótico das HQs, defendendo-o como uma forma autônoma de literatura e arte. E ele faz isso da forma mais épica possivel: dentro da linguagem quadrinística. Recomendado tanto pra entusiastas como para leigos no assunto, Scott McCloud fará você enxergar os quadrinhos de uma outra forma.

#2 – Will Eisner

É rei, ponto.

Um dos grandes responsaveis pelo desenvolvimento do gênero como Arte (com A maiusculo), Eisner  ensinou Técnicas de Quadrinhos na Escola de Artes Visuais de Nova York, e escreveu obras fundamentais na criação de histórias em quadrinhos: Os Quadrinhos e a Arte Sequencial  e A Narrativa Gráfica, trabalhos que eu certamente farei uso em meu TCC.

#3- Alvaro de Moya

Álvaro de Moya é jornalista,escritor, produtor, ilustrador e  diretor de cinema e televisão. É considerado por alguns como o maior especialista em HQs do Brasil.

Professor aposentado da USP, foi um dos organizadores da Primeira Exposição Internacional de história em Quadrinhos , em 1951, na cidade de São Paulo. Além de ser a primeira exposição de quadrinhos da história do Brasil, foi de ineditismo também para o mundo.

Seu livro, Shazam!, de 1970, é, sem sombra de dúvida, o maior livro sobre quadrinhos do país. O livro não se resume apenas a fazer um pesquisa sobre a história dos HQs, mas conta com a colaboração de especialistas que debatem acerca da influência pedagógica e psicológica dos quadrinhos e a sua influência na  cultura, tratando as HQs não somente como puro entretenimento, mas sim como um  meio de comunicação que merece atenção por parte dos acadêmicos.

a CARA do Dr Albieri

4#Paulo Ramos

Jornalista, professor e consultor de língua portuguesa, Paulo  Ramos é doutor em língua portuguesa pela USP (Universidade de São Paulo), fez Jornalismo na UMESP (Universidade Metodista de São Paulo) e também Letras pela PUC-SP.

Desde 2004, ele é docente da Universidade Metodista de São Paulo. Paulo já deu aulas também na USP-Leste e é atual integrante do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP.

Paulo Ramos é dono do Blog dos Quadrinhos (vejam, é muito bom!) e também vencedor do Prêmio HQMix como “melhor articulista” sobre Quadrinhos. Seu blog também foi premiado como “melhor Blog” da área. Separei dois livros dele para meu TCC: A Leitura dos Quadrinhos e Muito Alem dos Quadrinhos. Ambos focam no aspecto teorico-pedagógico das HQs, tema que escolhi abordar em minha pesquisa.

É isso aí. Esses serão os pricipais autores e alguns de seus livros que usarei em meu TCC.  Espero que fique épico!!! Quem sabe não pego gosto pela coisa e um dia acabo ingressando nesse tal Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da ECA. Seria foda…