Arquivo de março, 2012

Ontem,dia 27 de março, um dos maiores clássicos do Cinema hollywoodiano completou 60 anos. Com direção de  Stanley Donen e o talento do ator Gene Kelly como coreografo e protagonista, Cantando na Chuva (1952) conta as desventuras de grandes astros do cinema-mudo tentando se adaptarem à chegada do som na indústria (sim, é o mesmo plot de O Artista, grande vencedor do Oscar 2012).

Mas o que transformou Cantando na Chuva num ícone da cultura pop foi uma cena específica que é reverenciada, citada e parodiada até os dias de hoje. O numero solo de Kelly da música-título Sing’n in the Rain representa toda a felicidade do seu personagem Don Lockwood, ao descobrir que seu amor é correspondido, uma alegria tão imensa que lhe faz cantar e dançar na chuva.

A cena original:

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Meu primeiro contato com Dançando na Chuva se deu com a interpretação do meu querido Bolaños, noótimo episódio O Show Deve Continuar da série Chapolin.

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Mais tarde, quando vi Laranja Mecanica pela primeira vez, Kubrick deu um novo sentido à alegria da música com uma sádica versão, numa das cenas mais marcantes de seu clássico (clique no link abaixo – NSFW)

http://www.dailymotion.com/embed/video/x3x478

E pra não fechar este post nesse climão kubrikiano, toma aí uma versão ao vivo do COLDPLAY…

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BONUS: Gene Kelly no Muppet Show

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Influenciado pelo (excelente) podcast Matando Robos Gigantes, comprei nesta semana o livro Jogador Numero 1, escrito pelo roteirista do hilário (e até hoje inédito no Brasil) filme Fanboys, Ernest Cline.

De longe, Jogador Numero 1 é o livro mais agressivamente nerd que eu já li. Usando a cultura pop dos anos 80 como ferramenta narrativa, o autor usa de infinitas referências para construir a saga de Perzival, um garoto fudido num futuro distópico, cuja única valvula de escape é a imersão em um complexo Universo Virtual conhecido como OASIS, que acabou por se tornar um simulacro de universos compartilhados por bilhões de pessoas, que preferem desenvolver suas relações pessoais e profissionais em ambiente online ao invés do real.Um fato inesperado faz com que Perzival e todos os outros jogadores vasculhem os mundos e dimensões em busca do EASTER EGG do criador do game que dará ao vencedor o poder de mudar o mundo real e virtual. Para ter sucesso nesta empreitada, é necessário que os caçadores vasculhem de cabo a rabo todos os filmes, series, bandas e games favoritos e obscuros que fizeram a infância e a juventude de seu criador (passada no auge dos anos 80), tornando necessário aos jogadores conhecerem a fundo o cenário pop daquele tempo.

Divertido e Agil, Jogador Numero 1 é a minha recomendação literária do mês. Nota :8/10

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Estava eu, jogando o clássico Shadow of the Colossus, sozinho, perto das três da manhã. Em busca do 11° colosso, acabei perdido numa planicie nublada (o que é comum neste jogo em particular), pausei para acionar o mapa do jogo, e para minha surpresa, não vi em nenhum ponto o  ícone com a minha localização. Achei aquilo estranho, mas continuei a explorar o terreno, mas como a visibilidade estava terrivelmente prejudicada, não vi o desfiladeiro a minha frente. No jogo, quando se está cavalgando, seu cavalo, Agro, sempre evita a queda, empinando e relinchando na direção oposta, mas desta vez ele caiu junto comigo. A queda pareceu durar quase 1 minuto, mas o que aconteceu depois foi uma das piores e mais bizarras experiências como gamer da minha vida…

Antes de continuar, quero afirmar aqui que como ateu que sou, sempre fui muito cético em relação a tudo. Já li em alguns destes sites (como o Creepy Pasta) diversos relatos claramente fantasiosos de bugs e hacks “satânicos” em jogos, que só fazem incutir medo e preconceito nas pessoas mais “facilmente sugestionaveis” por assim dizer, mas o que relatarei a seguir me fez rever alguns conceitos espirituais que até a noite de ontem costumava ignorar (e muitas vezes até zombar).  Enfim, leiam e tirem suas próprias conclusões…

A longa queda culminou num CG violentíssimo: O cavalo, Agro explodiu no impacto com o solo num grotresco espetcaulo de sangue e visceras hiper-realísticas, ao mesmo tempo que o protagonista teve as duas pernas esmigalhadas na queda. Até então, não tinha visto tal nivel de realismo no jogo, o que me deixou desarmado para o que viria  a seguir…

Apesar da queda, o protagonista continuava vivo, agonizante e paraplegico no chão, mas ainda assim vivo. Tentei controla-lo, mas o personagem não respondia aos meus comandos. Na mesma hora, confesso que acendi a luz no meu quarto, um tanto cabreiro com o que estava acontecendo. Como vi que o jogo não seguia, assumi que era um bug e  levantei da cama pra desligar (e assistir um pouco de Cartoon Network pra relaxar), mas quando botei o pé no chão, escuto no jogo as vozes dos Ancients (que ao longo do jogo dão dicas valiosas para destruir os colossos), dizendo:

“No hope for your faithless soul”

Gelei na hora. O controle dual shock começou a vibrar na minha mão e eu percebi que poderia rastejar com o personagem. Fui movimentando aquele avatar morimbundo que deixava um largo rastro de sangue por onde passava, até que um novo CG começou a rodar revelando um colosso que eu nunca tinha visto no jogo…

Lembrava Baphomet, pra muitos a encarnação do próprio capeta  (mas que na real era o simbolo da Ordem dos Templários,que foi demonizado pela Igreja para se livrar dos caras depois que eles fizeram o trabalho sujo por ela – mas isso é assunto pra um outro post). Enfim…saber disso não aliviou o cagaço que estava sentindo naquele momento. A musica de batalha começou e meu personagem estava caído aos pés de bode daquele gigante. O botão de espada não funcionava, não podia correr, nem chamar meu cavalo (que tinha virado uma nojenta poça de sangue), só me arrastar para a morte. As vozes dos Ancients voltaram pra me assombrar praguejando:

“You’ll die for your sins”

Enquanto isso, o estranho colosso me pegou do chão com sua mão gigantesca  e me levou para perto de seu rosto, pensei que era o momento de ataca-lo de alguma forma, mas o meu personagem começou a se contorcer e gritar como numa convulsão. A tela piscou uma vez e o cenário ficou num tom sólido de vermelho. Ao meu personagem morimbundo só restou a morte quando o colosso fechou sua mão, revelando na tela de Game Over a máscara macabra daquele monstro,abaixo, só havia a opção Quit, o jogo não me deu uma segunda chance…

Atormentado com aquele game, fui tentar dormir…só tentar…

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Conto dedicado ao meu velho amigo Danilo, por me apresentar ao Creep Pasta, o melhor do terror para  nerds.